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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

HÁ UM PENSAMENTO GENUINAMENTE BRASILEIRO?

Neste breve relato pretendo comentar brevemente o livro Crítica da Razão Tupiniquim (1979), escrita pelo filósofo brasileiro e blumenauense Roberto Gomes. Ele ataca ostensivamente a falta de personalidade e originalidade da Filosofia brasileira, que se mantêm ao longo dos tempos, atrelada a modelos educacionais eurocêntricos, fato que reflete a dependência cultural que há muito nos acompanha e nos coloca diante daquele complexo de vira-lata, que é uma herança colonial Roberto Gomes provoca o leitor afirmando que, “por mais abstrato que possa parecer um pensamento, ele sempre traz em si a marca de seu tempo e lugar”. Com isso afirma que toda forma de pensar está vinculada a um contexto sócio-histórico, e que, fora dele, a compreensão torna-se difícil ou até mesmo destituída de sentido. Entre os exemplos utilizados por ele: “como entender Hegel sem a Revolução Francesa?” ou ainda, como entender a educação brasileira sem considerar sua herança colonial? O pensamento é algo original que ca...

ANUNCIAR E TESTEMUNHAR JESUS CRISTO

 A vida da Igreja só pode ser compreendida à luz do próprio Jesus Cristo. Ele é o fundamento da fé e o sentido de toda a atividade pastoral. Quando alguém se depara com as exigências da evangelização, o coração se inquieta na busca dos melhores caminhos de seguimento amado e assumindo-o como Senhor da vida do povo. Um conhecimento insuficiente do Filho de Deus gera, inevitavelmente, uma compreensão limitada de sua missão salvífica e da própria razão da existência humana. Não existe meia missão.  A Bula Pontifícia de São João Paulo II, Mistério da Encarnação , 1988, enfatiza: “Jesus é verdadeiramente a realidade nova que supera tudo quanto a humanidade pudesse esperar, e que permanecerá para sempre ao longo das épocas sucessivas da história. Deste modo, a encarnação do Filho de Deus e a salvação que realizou com sua morte e ressurreição são o verdadeiro critério para avaliar a realidade temporal e qualquer projeto que procure tornar a vida do homem cada vez mais humana” (João P...

EU SOU SHUTRUCK-NAHUNTE, REI ELAM

  Nas próximas linhas analisarei a questão do protagonismo a partir do exemplo do rei Shutruck-Nahunte de Elam. Um rei elamita conhecido por destruir a cidade de Sippar (Quinta; Abaslou, 2020). Este caso oferece um paradigma interessante para refletir sobre a importância e as consequências do protagonismo nas ações, não somente de um governante, mas na ação humana. Figura 1 : Timk70 (talk · contribs) - This file was derived from: Elam Map-de.svg:, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=50493370 A destruição de Sippar por Shutruck-Nahunte foi um ato que ilustra a capacidade de um líder de exercer um protagonismo extremo. Este ato foi, talvez, motivado pelo desejo de glória, poder e, possivelmente, pela busca de expansão territorial ou vingança contra inimigos. No entanto, é crucial questionar se tal protagonismo contribuiu para o bem comum, ou melhor, questionar sua validade e pensar como as pessoas envolvidas se sentiram. A destruição de uma cidade, Sippar...