Você se lembra do momento em que teve a evidência clara de que conseguia ler? Eu me lembro: tinha sete anos, estava em frente à escola, olhei para a fachada de um prédio antigo e lá estava escrito: far-má-cia. Gritei! “Eu li! Eu sei ler!” A escritora Ângela Kleima (2005) escreve sobre letramento, um nome oportuno para tecer ideias sobre esse tema. Ela nos faz pensar que o letramento não se restringe ao ambiente escolar. É sempre importante lembrar que a educação não se limita ao espaço da escola; portanto, outras práticas também não podem ser exclusivas dela. Isso nos leva a reconhecer que a escola possui muitas atribuições, mas funciona como parte de um sistema mais amplo. Para Kleima, o letramento faz parte do cotidiano e, enquanto processo, possui múltiplos sentidos. Um dos aspectos destacados pela pesquisadora é a condição social na qual esse processo está inserido. “Paulo Freire utilizou o termo alfabetização como um sentido próximo ao que hoje tem o termo letra...