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Mostrando postagens com o rótulo Educação

EU SOU SHUTRUCK-NAHUNTE, REI ELAM

  Nas próximas linhas analisarei a questão do protagonismo a partir do exemplo do rei Shutruck-Nahunte de Elam. Um rei elamita conhecido por destruir a cidade de Sippar (Quinta; Abaslou, 2020). Este caso oferece um paradigma interessante para refletir sobre a importância e as consequências do protagonismo nas ações, não somente de um governante, mas na ação humana. Figura 1 : Timk70 (talk · contribs) - This file was derived from: Elam Map-de.svg:, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=50493370 A destruição de Sippar por Shutruck-Nahunte foi um ato que ilustra a capacidade de um líder de exercer um protagonismo extremo. Este ato foi, talvez, motivado pelo desejo de glória, poder e, possivelmente, pela busca de expansão territorial ou vingança contra inimigos. No entanto, é crucial questionar se tal protagonismo contribuiu para o bem comum, ou melhor, questionar sua validade e pensar como as pessoas envolvidas se sentiram. A destruição de uma cidade, Sippar...

QUAL O LUGAR DA ESCOLA NO MUNDO DIGITAL?

  Você se lembra do momento em que teve a evidência clara de que conseguia ler? Eu me lembro: tinha sete anos, estava em frente à escola, olhei para a fachada de um prédio antigo e lá estava escrito: far-má-cia. Gritei! “Eu li! Eu sei ler!”   A escritora Ângela Kleima (2005) escreve sobre letramento, um nome oportuno para tecer ideias sobre esse tema. Ela nos faz pensar que o letramento não se restringe ao ambiente escolar. É sempre importante lembrar que a educação não se limita ao espaço da escola; portanto, outras práticas também não podem ser exclusivas dela. Isso nos leva a reconhecer que a escola possui muitas atribuições, mas funciona como parte de um sistema mais amplo. Para Kleima, o letramento faz parte do cotidiano e, enquanto processo, possui múltiplos sentidos. Um dos aspectos destacados pela pesquisadora é a condição social na qual esse processo está inserido. “Paulo Freire utilizou o termo alfabetização como um sentido próximo ao que hoje tem o termo letra...

A COMUNIDADE FORMATIVA E O USO DA IA GENERATIVA

 A Inteligência Artificial Generativa não é somente uma ferramenta tecnológica, mas um fenômeno cultural que redefine como pensamos o dia a dia diante do contexto de transformação. Percebo que os professores oscilam entre a adaptação e a resistência, mas não podem ignorar sua presença. Reconheço que a IA oferece agilidade e acesso rápido à informação, algo que antes dependia de longas consultas a inúmeras páginas na rede. Noto que essa “nova velocidade de conexão” não elimina a necessidade de uma reflexão crítica, mas exige que ela seja mais urgente. Com este contexto, seria oportuno que a filosofia da educação se reposicione, afinal, com a IA Gen, há a formação de novos paradigmas epistemológicos no que tange à massa de novos usuários.  É notável que a IA Gen amplia a criatividade docente, permitindo que ideias se transformem em práticas pedagógicas com maior fluidez a depender do prompt. Vejo que os professores solicitam sugestões de atividades, materiais visuais e até estra...

OS ASSASSINOS DE ESCOLAS SÃO PRODUTOS SOCIAIS DA ESCOLA

Imagem gerada por I.A. A manhã de 05 de abril de 2023 [1] foi marcada pela brutalidade de um assassino, que invadiu o CEI Cantinho Bom Pastor em Blumenau, vitimou 4 crianças letalmente e outras 5 ficaram feridas. Fragilizou uma nação, diante da impotência e da crueldade. Uma mensagem, nas mídias sociais da instituição atingida, no primeiro dia do mês afirmava, “bem-vindo abril, nos traga esperança e paz”. A impotência reforça os votos de esperança, acima de qualquer outra coisa.  Segundo a NSC Total, via G1, um homem de 25 anos pulou o muro da creche e iniciou o ataque contra as crianças com uma machadinha. As vítimas foram atingidas na região da cabeça. Após a ação, ele se entregou no Batalhão da Polícia Militar. O suspeito tem passagens por porte de drogas, lesão e dano, segundo a Polícia Civil. O ataque acontece dez dias após uma escola, em São Paulo, ser alvo de um adolescente, que vitimou uma professora com golpes de facas, além de outros feridos.   O que você deseja...

EDUCAÇÃO CIENTÍFICA COMO ALICERCE PARA UMA APRENDIZAGEM EMANCIPATÓRIA

Imagem gerada por I.A., tendo este texto como "prompt". Este texto nasce a partir de uma conferência apresentada pelo Prof. Dr.  Pedro Demo, durante a X FEBIC, em Joinville, no dia 09 de setembro de 2025. Ela teve como título, “Educação Científica - Direito de todos”. E das provocações apresentadas surgem alguns rabiscos. E o primeiro deles é questionar o lugar da ciência na escola? Parece que falar de ciência na escola é uma conversa secundária, diante de tatos afazeres aplicados a ela. Diante disto, a educação científica, conforme propõe Pedro Demo, transcende a simples transmissão de conteúdo para se afirmar como um pilar para a formação de cidadãos autônomos. Sua defesa incisiva posiciona a ciência não como um corpo fechado de verdades, mas como uma prática crítica e dialógica, essencial para a desconstrução da realidade e dos discursos que a permeiam, como uma condição de enfrentamento as falsidades produzidas por ondas de fake-news e pós-verdades. No entanto, Demo a...

UMA CRÍTICA AO EMPREENDEDOR DE SI

  Na era da modernidade líquida, a educação vive sob a sombra de um cenário que a torna cada vez mais frágil e descartável. Consumimos cursos. Zygmunt Bauman alerta que, em um mundo que valoriza a rapidez e a utilidade imediata, a escola e a universidade perdem espaço para a lógica do resultado rápido. Não se pode mais ler longos textos, vídeos devem ser curtos, e a profundidade dá lugar a estupidez de superfície. Quando mergulharemos? Neste espaço predominam métricas de produtividade e retorno financeiro, o ato de ensinar e aprender se torna um processo frio, desprovido de cuidado e com pouco espaço para o imprevisto criativo. A escola deixa de ser lugar de aprender e tornou-se negócio, negando o que há de mais nobre do saber, o ócio.   É aí que nasce a perigosa noção de empreendedor de si, tão celebrada pela educação contemporânea. O indivíduo passa a ser visto como um projeto empreendedor, responsável por maximizar seu próprio valor de mercado em detrimento do saber, algu...

PAIS E FILHOS: CARTAS DO MUNDO LÍQUIDO

 "Na sociedade sólida moderna, de produtores e soldados, o papel dos pais consistia em incutir nos filhos, a todo custo, a autodisciplina" (Bauman, 2011, p. 49) Tenho medo de voar. Entrar no avião e passar as horas necessárias até o destino me é sufocante. Diante da necessidade e da prática, o faço, mas evito quando posso. Em uma dessas ocasiões, fui acompanhado pelas 44 cartas do mundo líquido moderno , de Zygmunt Bauman. Não escolhi o polonês para me acalmar, pois ele desperta o desejo contrário. Escolhi a obra porque o livro foi um presente de Dia dos Professores de uma pessoa muito amada. Ao estar com o livro, estava com ela na viagem. Enquanto Bauman refletia sobre as intempéries da contemporaneidade, eu me segurava nas páginas de uma doce lembrança. O livro, como sugerido no título, é composto por cartas escritas por Bauman durante dois anos (2008 e 2009) para leitores italianos. Uma das cartas, intitulada “Pais e Filhos”, chama a atenção. Nela, o autor recupera Michel...

O FILHOTE DE QUERO-QUERO

 Um dos textos que li, reli e indiquei ao longo do Mestrado em Educação, foi o livro Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão , da pensadora argentina Paula Sibília. A autora parte do pressuposto haver uma crise sobre a escola e ela é por conta da ausência de apropriação da escola com tecnologias digitais. Esta ausência cria um muro intransponível entre ela e os seus sujeitos. Um mal-estar que ainda se sustenta numa lógica de confinamento. As diferenças são deixadas de fora para uma formação em larga escala, adequando tudo e todos e, ao mesmo tempo que também é ameaçada por uma lógica fascista do controle sobre os discursos, que já são tão controlados. Há explicações históricas que permitem a reflexão deste estar.  Faço este parágrafo reflexivo para chamar atenção a foto que fiz. No instante momento que os alunos estavam enclausurados, ao lado de fora, do prédio-clausura, no tempo que lhe são próprios, um quero-quero filhote descobria a arte da caça sob o olhar preocu...