Versão 1 Na história, em diferentes níveis, sempre se aprendeu primeiro a falar e depois a escrever. O falar nasce de uma certa espontaneidade. A criança, sem muita vergonha ou neurose, inventa palavras, cria contextos e, com a imaginação, amplia o mundo. “Eu consigo passar num segundo, giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo”, já nos ensinou Toquinho (1983). As primeiras palavras de uma criança são festejadas e sua imaginação não se importa com os limites impostos. Ela fala, fala e fala... as regras do falar da criança são construídas e reconstruídas em cada frase. Não há uma má-gramática do falar, apenas a vontade. E quando a criança chega à escola, da fala surge a escrita. Há um corte. A escrita, por sua vez, assume outra característica, diante das regras e das gramáticas, transforma-se em algo talvez menos divertido que o falar. Para pensar essa relação com a escrita, recorro a Gilles Deleuze (1997). Para o pensador francês, “escrever é um caso de devir, ...
E a vida? E a vida, o que é? Diga lá, meu irmão Ela é a batida de um coração? Ela é uma doce ilusão? Ê-ô (O que é, o que é? Letra de Gonzaguinha) A vida é a simples batida do coração ou ela é força motriz que dá sentido ao coração? Ou haverá outras reflexões que nossa vã filosofia supõe pensar? Para pensar a questão da vida, recupero conceitos de Gilles Deleuze apresentados na obra Diferença e Repetição (2018). Nela, o autor apresenta o conceito de acontecimento. Acredito que o acontecimento seja fundamental para pensar a vida. Para Deleuze o acontecimento possui um sentido diferente daquele empregado pelo senso-comum, o acontecimento não é um fato. O fato pertence ao nível empírico, àquilo que se inscreve na imediaticidade do tempo cronológico. Já o acontecimento diz respeito a algo que se torna significativo, marcando de forma singular a experiência e vivenciado em “outro tempo”, o que o grego antigo chamou de aíon. Há diferenças entre chrónos (...