O que significa ser comunista? Esta é uma questão que me inquieta há tempos. Em novembro de 2006, o então presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rabelo, na ocasião PCdoB (Partido Comunista do Brasil), assumiu temporariamente a Presidência da República. Tratava-se do primeiro presidente “comunista”, desde Jango (1961-1964), então PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Na ocasião, em 2006, ao chegar à padaria encontrei uma senhora aos prantos. “Agora o Brasil vai se tornar um país comunista, terei que dividir minha casa com um estranho”. Em lágrimas ela comprou pão e foi embora. A cena daquele desespero da ignorância ficou gravada. Afinal, quem tem medo de comunista teme exatamente o que? Para auxiliara pensar esta questão, recorro a Negri e Guattari (2017). No primeiro capítulo da obra As verdades nômades, os autores apresentam um texto que ajuda a pensar o temor. Eles dizem, “todas as revoluções foram traídas e nosso futuro parece carregado de uma inércia histórica insuportável”...
O universo da leitura é marcado por multipossibilidades. Alguns amigos ironizam afirmando que ela é um “esquema de pirâmides”. Na tentativa de compreender melhor a carta encíclica Magnificat Humanitas, de Leão XIV, estava lendo Leonardo Boff (2026) e no texto dele encontrei a expressão rendição cognitiva de Steven D. Shaw. Esava nas palavras de Chaverría (2026). Sim, há certa pirâmide, mas, sem a exploração do capital e com possibilidades de conhecimento. Para o filósofo estadunidense Shaw, a rendição cognitiva decorre do uso das inovações tecnológicas de forma acrítica. Esse fenômeno acontece quando o ser humano cede o direito de decisão para alguma ferramenta virtual, como por exemplo, a inteligência artificial (IA). A decisão racionalizada é uma condição humana, quando não se faz pelo uso da razão acontece a rendição. Considera-se agora o fenômeno da IA. Se há o uso da IA para o processo decisório, houve rendição cognitiva. Se a decisão não acontece racionalmente, perde-se a habilid...