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ANUNCIAR E TESTEMUNHAR JESUS CRISTO

 A vida da Igreja só pode ser compreendida à luz do próprio Jesus Cristo. Ele é o fundamento da fé e o sentido de toda a atividade pastoral. Quando alguém se depara com as exigências da evangelização, o coração se inquieta na busca dos melhores caminhos de seguimento amado e assumindo-o como Senhor da vida do povo. Um conhecimento insuficiente do Filho de Deus gera, inevitavelmente, uma compreensão limitada de sua missão salvífica e da própria razão da existência humana. Não existe meia missão.  A Bula Pontifícia de São João Paulo II, Mistério da Encarnação , 1988, enfatiza: “Jesus é verdadeiramente a realidade nova que supera tudo quanto a humanidade pudesse esperar, e que permanecerá para sempre ao longo das épocas sucessivas da história. Deste modo, a encarnação do Filho de Deus e a salvação que realizou com sua morte e ressurreição são o verdadeiro critério para avaliar a realidade temporal e qualquer projeto que procure tornar a vida do homem cada vez mais humana” (João P...
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EU SOU SHUTRUCK-NAHUNTE, REI ELAM

  Nas próximas linhas analisarei a questão do protagonismo a partir do exemplo do rei Shutruck-Nahunte de Elam. Um rei elamita conhecido por destruir a cidade de Sippar (Quinta; Abaslou, 2020). Este caso oferece um paradigma interessante para refletir sobre a importância e as consequências do protagonismo nas ações, não somente de um governante, mas na ação humana. Figura 1 : Timk70 (talk · contribs) - This file was derived from: Elam Map-de.svg:, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=50493370 A destruição de Sippar por Shutruck-Nahunte foi um ato que ilustra a capacidade de um líder de exercer um protagonismo extremo. Este ato foi, talvez, motivado pelo desejo de glória, poder e, possivelmente, pela busca de expansão territorial ou vingança contra inimigos. No entanto, é crucial questionar se tal protagonismo contribuiu para o bem comum, ou melhor, questionar sua validade e pensar como as pessoas envolvidas se sentiram. A destruição de uma cidade, Sippar...

EVANGELIZAR A PARTIR DA REALIDADE: UM OLHAR INTRODUTÓRIO PARA MASSARANDUBA E A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026

  A Campanha da Fraternidade é uma ação da Igreja Católica que, a partir da Quaresma mobiliza uma reflexão social à luz da Palavra. Todo ano é escolhido um tema com foco no social. No ano de 2026 o tema é “Fraternidade e Moradia”, o lema, é “Ele veio morar entre nós” (João 1,14).  A Campanha da Fraternidade (CF) ajuda a pensar uma realidade territorial. No caso deste texto, a realidade pensada é a paróquia situada em Massaranduba, um pequeno município do Vale do Itapocu, região Norte de Santa Catarina. Pensar a evangelização à luz da CF significa, antes de tudo, olhar com seriedade e compaixão para a realidade concreta em que vivem as famílias. Este olhar independe da vivência religiosa de cada pessoa. Aqui se pensa a Casa Comum, como nos ensinou Papa Francisco (2015) . A CF propõe refletir sobre fraternidade e moradia, lembrando que a casa não é apenas um teto, mas um espaço de dignidade, saúde, convivência e esperança. Quando a moradia é frágil, a vida também se fragiliza....

O ORKUT É REALMENTE NECESSÁRIO?

  PRÉ-TEXTO  O leitor mais novo desconhece o Orkut. Mas ele está acostumado com outro fenômeno, a exposição nas mídias sociais. Pensando neste contexto, recupero um texto que já completou vinte anos para repensar algumas práticas incorporadas no cotidiano. Nem sempre elas podem ser normatizadas e naturalizadas. Em tempos em que a escola insiste em debater Pensamento Computacional, é importante pensar em comportamentos e exposições computacionais (sic!). --------------------------------------------------------- Orkut - é realmente necessário? Foi montado voluntariamente por cidadãos de bem, deslumbrados com a tecnologia, querendo participar sua rotina, sua existência sem novidades, seus gostos, seus filhos, seus pais, a todo o mundo. Todo o mundo mesmo. O ORKUT apareceu como uma forma de reaver amigos, saber notícias de quem estava distante e mandar recados, e hoje está sendo utilizado com o propósito para que, creio, é o seu maior trunfo, obtenção de informações sobre uma cla...

QUAL O LUGAR DA ESCOLA NO MUNDO DIGITAL?

  Você se lembra do momento em que teve a evidência clara de que conseguia ler? Eu me lembro: tinha sete anos, estava em frente à escola, olhei para a fachada de um prédio antigo e lá estava escrito: far-má-cia. Gritei! “Eu li! Eu sei ler!”   A escritora Ângela Kleima (2005) escreve sobre letramento, um nome oportuno para tecer ideias sobre esse tema. Ela nos faz pensar que o letramento não se restringe ao ambiente escolar. É sempre importante lembrar que a educação não se limita ao espaço da escola; portanto, outras práticas também não podem ser exclusivas dela. Isso nos leva a reconhecer que a escola possui muitas atribuições, mas funciona como parte de um sistema mais amplo. Para Kleima, o letramento faz parte do cotidiano e, enquanto processo, possui múltiplos sentidos. Um dos aspectos destacados pela pesquisadora é a condição social na qual esse processo está inserido. “Paulo Freire utilizou o termo alfabetização como um sentido próximo ao que hoje tem o termo letra...

A ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO DIGITAL

  Longe de ser uma mera habilidade técnica de decodificar letras, o letramento, na visão seminal da linguista Angela Kleiman (Santiago, 1945), é uma prática social profundamente enraizada no contexto. Conforme a autora, trata-se das “ práticas sociais de leitura e escrita ” que os indivíduos desenvolvem ao se engajarem em atividades reais dentro de suas comunidades. Para Kleiman, não basta saber ler e escrever (a alfabetização); é preciso usar a língua escrita para interagir, resolver problemas, questionar, posicionar-se e exercer a cidadania. Seu trabalho desloca o foco do indivíduo isolado para as interações sociais onde o texto circula, destacando que os usos e significados da escrita variam em cada esfera, do bilhete na geladeira à petição online, do laudo médico ao post em rede social. Portanto, ser letrado implica participar criticamente de um mundo grafocêntrico, onde a escrita é uma ferramenta de poder, inclusão ou exclusão. Essa abordagem foi revolucionária ao demonstrar q...

QUAL O SENTIDO DA VIDA?

Cercado em Auschwitz, acervo do autor. Foto de 2015.   Não tenho a pretensão e a ilusão de oferecer uma resposta definitiva a questão: qual o sentido da vida? Nos últimos dias, estive em contato com o texto O sentido da vida , de Susan Wolf, leitura motivada por um projeto de pesquisa no qual estou envolvido e que se dedica a pensar a morte a partir da filosofia de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Enquanto organizava parte da literatura, deparei-me, por indicação do site Crítica , com o texto de Wolf (2024), que acabou funcionando menos como uma resposta e mais como um mobilizador de inquietações. Nas linhas que seguem, não busco comentar o texto de Wolf, mas explorar algumas reverberações que ele provocou. Quando nos se pergunta pelo sentido da vida ou, mais amplamente, pelo sentido da própria experiência de viver, tende-se a fazê-lo a partir de um horizonte místico ou religioso. Esse enquadramento, historicamente dominante, parece oferecer um terreno seguro, revelado, inscrito...