Mataram uns 12 milhões de indígenas, contabiliza Las Casas - RED A “ e ra dos d escobrimentos”, no período da América Colonial, foi muitas vezes envolta por narrativas românticas sobra a exploração da América. O frei dominicano Bartolomé de Las Casas, ou Bartolomeu, na obra O paraíso destruído (2001) revel ou uma tapeçaria de sangue. Ele documenta um “ p araíso t errestre” transformado em “ a bismo” de “ o pressão a bominável”, praticado pelo europeu que chegou com sede insaciável de ouro . A revelação mais perturbadora não é apenas a escala da carnificina, mas a identidade da própria testemunha. Antes de sua conversão, por volta do ano d e 1502 Las Casas participou da mesma “história sangrenta” que mais tarde condenaria. A ntes de tornar-se religioso ele chegou a s Ilha s de Cuba e Hispaniola, como conquistador. Próximo a vila de Caonao ordenou a decapitação de sete mil índios. Sua transformação de perpetrador de massacres em “ p rotetor dos í ndios” começou com u...
Versão 1 Na história, em diferentes níveis, sempre se aprendeu primeiro a falar e depois a escrever. O falar nasce de uma certa espontaneidade. A criança, sem muita vergonha ou neurose, inventa palavras, cria contextos e, com a imaginação, amplia o mundo. “Eu consigo passar num segundo, giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo”, já nos ensinou Toquinho (1983). As primeiras palavras de uma criança são festejadas e sua imaginação não se importa com os limites impostos. Ela fala, fala e fala... as regras do falar da criança são construídas e reconstruídas em cada frase. Não há uma má-gramática do falar, apenas a vontade. E quando a criança chega à escola, da fala surge a escrita. Há um corte. A escrita, por sua vez, assume outra característica, diante das regras e das gramáticas, transforma-se em algo talvez menos divertido que o falar. Para pensar essa relação com a escrita, recorro a Gilles Deleuze (1997). Para o pensador francês, “escrever é um caso de devir, ...