“ Moramos na cidade, também o presidente. E todos vão fingindo decentemente. Só que eu não pretendo ser tão decadente, não! Tédio, com um T bem grande para você !” (Renato Russo, Legião Urbana, 1987). A música que abre o texto é uma gravação do rock brasileiro no período da redemocratização do Brasil. Momento da história em que as músicas marcavam um grito pela liberdade de expressão e questionamentos da superficialidade da vida urbana. Jovens insatisfeitos com os rumos marcados pela ditadura militar (1964-1985), viviam “fingindo decentemente” enquanto eram perseguidos em razão de suas opiniões. Expressar-se era um perigo. Falas superficiais, durante a ditadura representava segurança. O país vivencia sucessivas crises econômicas que distanciavam os jovens do ingresso ao mundo do trabalho, a hiperinflação diminuía o poder compra e a aumentava dificuldade de acesso ao ensino superior. A vida na cidade era superficial porque o jovem se sentia alienado às oportunidades. E na atualid...
Em janeiro fui comprar um livro de presente para um amigo. Quando compro livros trago um para minha biblioteca. Nem todos os livros existentes nela foram lidos. Certa vez, Umberto Eco afirmou: “é tolice pensar que tem de ler todos os livros que compra, pois é tolice criticar aqueles que compram mais livros de que alguma vez conseguiram ler. Seria como dizer que deve usar todos os talheres ou óculos ou chaves de fenda que comprou antes de comprar novos”. O livro de Boaventura (Santos, 2022) foi escolhido para a biblioteca porque cada vez que usava o conceito de descolonizar, precisava buscar algum artigo para referenciá-lo. Agora tenho a fonte. O uso do conceito descolonizar em meus textos tornou-se frequente. Não quero falar do texto, mas realizar uma primeira explanação de algo que tem causado incômodos. Se uma leitura não trouxer interrogações, ela simplesmente passou e esta é a primeira vez que abordo o conceito. Em "Descolonizar", o autor oferece uma crítica contundent...