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Mostrando postagens com o rótulo Angela Kleima

QUAL O LUGAR DA ESCOLA NO MUNDO DIGITAL?

  Você se lembra do momento em que teve a evidência clara de que conseguia ler? Eu me lembro: tinha sete anos, estava em frente à escola, olhei para a fachada de um prédio antigo e lá estava escrito: far-má-cia. Gritei! “Eu li! Eu sei ler!”   A escritora Ângela Kleima (2005) escreve sobre letramento, um nome oportuno para tecer ideias sobre esse tema. Ela nos faz pensar que o letramento não se restringe ao ambiente escolar. É sempre importante lembrar que a educação não se limita ao espaço da escola; portanto, outras práticas também não podem ser exclusivas dela. Isso nos leva a reconhecer que a escola possui muitas atribuições, mas funciona como parte de um sistema mais amplo. Para Kleima, o letramento faz parte do cotidiano e, enquanto processo, possui múltiplos sentidos. Um dos aspectos destacados pela pesquisadora é a condição social na qual esse processo está inserido. “Paulo Freire utilizou o termo alfabetização como um sentido próximo ao que hoje tem o termo letra...

A ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO DIGITAL

  Longe de ser uma mera habilidade técnica de decodificar letras, o letramento, na visão seminal da linguista Angela Kleiman (Santiago, 1945), é uma prática social profundamente enraizada no contexto. Conforme a autora, trata-se das “ práticas sociais de leitura e escrita ” que os indivíduos desenvolvem ao se engajarem em atividades reais dentro de suas comunidades. Para Kleiman, não basta saber ler e escrever (a alfabetização); é preciso usar a língua escrita para interagir, resolver problemas, questionar, posicionar-se e exercer a cidadania. Seu trabalho desloca o foco do indivíduo isolado para as interações sociais onde o texto circula, destacando que os usos e significados da escrita variam em cada esfera, do bilhete na geladeira à petição online, do laudo médico ao post em rede social. Portanto, ser letrado implica participar criticamente de um mundo grafocêntrico, onde a escrita é uma ferramenta de poder, inclusão ou exclusão. Essa abordagem foi revolucionária ao demonstrar q...