Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Giogio Agamben

LIÇÕES DE UM CICLONE BOMBA

 Prof. Albio Fabian Melchioretto ( 0000-0001-8631-5270 ) Escrito em 01/07/2020 Revisto em 31/12/2024 Estrada Nossa Senhora Aparecida, Braço Direito, Massaranduba, 30.jun de 2020. O fenômeno é natural, mas as causas são humanas! Os vendavais da terça-feira, 30 de junho de 2020, deixaram, além do estrago, lições. O vento é um fenômeno natural, assim como a chuva, a inundação, o raio, entre outros. O excesso ou a falta fazem parte da vida com a Mãe Terra. Há de se considerar que a ação humana interfere diretamente na intensidade do que é um fenômeno natural. Karl Marx e Fredrich Engels (2007) nos lembram que a produção capitalista esgota a terra e o trabalhador. Os efeitos que sofremos, no corpo e na terra, são resultados de práticas que levam ao esgotamento. Algo semelhante à ideia de que desenvolver é mais importante que preservar (cf. Cardoso, 1995). Após o vendaval, os efeitos eram visíveis em qualquer direção. Os lamentos de vizinhos e outros conhecidos relatavam perdas materiais...

PILATOS E JESUS

Hoje terminei o livro Pilatos e Jesus, de Giorgio Agamben. O filósofo italiano busca no encontro de ambos questionar a ideia julgamento. Os judeus  entregam Cristo às mãos do estado é o mote. Agamben sugere o encontro de dois mundos, o divido e o terreno, que desfilam sua própria imanência na tragédia. Durante o texto, por diversas vences pensei comigo mesmo, “malditos liberais”. Tal qual os judeus, os liberais negam o Estado. Os judeus recorreram à Roma para jogar Cristo à cruz, os liberais, correm ao estado para superar a crise sanitária e a econômica. Uma relação hipócrita e repleta de interesses pessoais. Diante deste contexto todo, vemos o silêncio vergonhoso das igrejas tradicionais, que se acomoda diante dos liberais, em troca de moedas para manter seu conforto. Ela consegue gritar “ crucifica-o ”, em vez de ser um grito de justiça. Tantos os liberais como os judeus, só fazem voz grossa, quando Pilatos quer “lavar” suas mãos, mas não por um interesse legítimo, senão pessoal…...

COMO SER RESISTÊNCIA EM TEMPOS DE ISOLAMENTO SOCIAL?

As leituras de Giorgio Agamben, Byong-Chul Han e outros pensadores, feitas nos últimos dias, me fazem pensar sobre a necessidade de ser resistência diante do contexto atual. Aqui não falo em resistência como revolução armada, mas a formação de ideais que possibilitem uma reflexão diante de tantas “verdades” que consumimos, sem ao menos questionar. Resistir a ideias como, “a economia vai quebrar”, ou ainda, “enfrentaremos uma crise sem precedentes”. Como resistir ao discurso midiático envolvido de projetos políticos? A primeira resistência deveria passar pela aceitação que o COVID19 não nos tornou todos iguais. Vamos nos unir, branda o âncora mais inflamado do jornalismo popularesco. Unir para? Manter um sistema desigual que sustenta uma reserva de mercado formado por dois dígitos percentuais de desempregados no Brasil? Ou para justificar uma desconcentração de renda onde a minoria bilionária é superior à maioria pobre? Este mundo é aquele onde 26 indivíduos que possuem ao menos 1 bil...

BACURAU E A VIDA NUA

 Em Agambem, de certa forma, a filosofia da vida é esquadrinhada como uma filosofia que vem. A vida é dada a partir de um projeto político. Há conceitos que envolvem a vida para além dos aspectos biológicos,  o que se considerar o político, como dito, e o teológico. Para o pensador italiano, “a vida nua a que o homem foi reduzido, não exige, nem se adapta a nada: ela própria é a única norma, é absolutamente imante”. Nela, concretiza-se um jogo de produção humana através da oposição homem/animal, eis o que elucida o mecanismo de captura da vida nua pelo biopoder. Nesta perspectiva é operado sobre o ser humano um jogo de exclusão e inclusão. Isolado da vida nua, o ser humano é apenas atual, deixa de vivenciar uma perspectiva virtual, perde sua potência de vir-a-ser, ele apenas é. Aquilo que uma vida pode ser, deixa de existir. Ontem participei de um evento acadêmico, onde assistimos e discutimos Bacurau. Calei-me no debate. Habitava um sentimento difuso, semelhante ao que sent...