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Mostrando postagens com o rótulo Teologia

UMA CATEQUESE PARA VIVER A MISSÃO

Ação do catequista é por natureza uma ação missionária (DC, 2020). Essa atividade integra a missão da Igreja, visto que não constitui um ato isolado, mas sim uma ação comunitária que, diante dos desafios do tempo presente, exige novo vigor. A experiência missionária amplia horizontes e convoca a um recomeço a partir de Cristo. Neste processo algumas características são fundamentais: o caminho exige amadurecimento constante e linguagem de testemunho; a fraternidade torna-se critério de autenticidade; a solidariedade assume papel estruturante. Diante disso a ação do catequista missionário passa a ser urgência e identidade. “O estado permanente de missão implica grande disponibilidade em repensar muitas estruturas pastorais, tendo como princípios  constitutivos a espiritualidade de comunhão e a audácia (disponibilidade) missionária” (CELAM, 2008, p. 11). O catequista deixa de atuar como um “professor” de sala para viver em estado permanente de missão, o que por sinal, exige revisão p...

POR QUE A IGREJA DEVE PENSAR COM OS POBRES?

  Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto 0000-0001-8631-5270   A fé cristã demonstra ser uma força significativa para a mudança social, conforme destaca o papa Leão XIV (2025) .   O olhar para com o pobre e a promoção da justiça social são uma parte integral da prática e do legado dessa fé, conforme foi destacado em Medellin (1968) . Nas próximas linhas pretende-se refletir como o cristianismo tem influenciado e continua a impulsionar mudanças sociais através da opção preferencial pelos pobres, que foi um compromisso assumido pela igreja latino-americana. Desde suas origens, o cristianismo tem se envolvido ativamente em questões de justiça social, como aprendemos em Atos 2,42-47. Além do bem comum apresentado pelos primeiros cristãos, movimentos como o abolicionismo, a luta pelos direitos civis, e as causas pela justiça econômica e ambiental são exemplos claros, como já vimos com Papa Francisco (2015) . A doutrina social da igreja não se fecha no “sexo dos anjos”, ma...

ECOLOGIA INTEGRAL E A INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

Cachoeira do Salto Donner, Dr. Pedrinho, SC  A igreja no Brasil, durante a quaresma, desde 1962, soma esforços para uma reflexão aprofundada com todos os fiéis a partir de temas com impacto social na promoção do espírito quaresmal. Chama-se este movimento de Campanha da Fraternidade (CF). E ele é direcionado com um tema e um lema. O tema para o ano de 2025 é Fraternidade e Ecologia Integral e o lema, “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31) (cf. CNBB, 2024).  A CF possui uma dimensão educacional, como salientam Messias e Mancilha (2024). Ao pensar o aspecto educacional, afirma-se, com certa segurança, que a CF dialoga com a proposta da Catequese de Iniciação à Vida Cristã (DC, 2020). O processo catecumenal, recuperado na catequese, a partir do Vaticano II, prevê a preparação dos catecúmenos para uma vida pautada na fraternidade, em seu sentido estrito, testemunhando a experiência do discipulado missionário na comunidade (cf. RICA, 2019).  A vivência do catecúmeno só te...

ZAQUEU E A CONVERSÃO: UMA ANÁLISE EXEGÉTICA E CATEQUÉTICA DE LUCAS 19,1-10

Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto ( 0000-0001-8631-5270 )   O relato de Zaqueu (Lc 19,1-10) insere-se no Evangelho de São Lucas a partir da perspectiva da misericórdia divina, destacando-se na radicalidade da conversão. O texto apresenta um cobrador de impostos, figura marginalizada no judaísmo sob domínio do Império Romano, como protagonista de uma transformação existencial. Além disto, o cobrador de impostos está aquém da vida religiosa (cf. Ravens, 1991) . A narrativa demonstra que a salvação não se restringe a categorias morais ou sociais, mas emerge do encontro pessoal com Cristo. O texto narra um encontro, uma relação de afetividade que desvela um acontecimento, uma relação entre dois mundos distintos e improváveis (cf. Deleuze, 2003) . O acontecimento não é só o encontro físico, mas é a linguagem que leva uma conversão e a uma mudança. Para provocar o acontecimento, Zaqueu sobe ao sicômoro [figueira] (Lc 19, 4) não por acaso, mas devido a sua baixa estatura física, q...

O DOMINGO DE RAMOS FOI UM PROTESTO, NÃO UMA PROCISSÃO

  Andrew Thayer [1]   Os cristãos abrem a Semana Santa celebrando o Domingo de Ramos, quando Jesus entrou em Jerusalém pela última vez antes da Paixão, Morte e Ressurreição. Para marcar o dia, recriam a cena da entrada de Jesus em Jerusalém (Marcos 11,1-11), que muitas vezes começa do lado de fora das igrejas e percorre as calçadas e ruas da cidade acenando com ramos de palmeira. “Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor” (Marcos 11,9).  Celebrações como essa muitas vezes ignoram uma condição histórica desconfortável sobre a entrada de Jesus em Jerusalém. Na época, foi um ato deliberado de confronto teológico e político, foi um protesto. No mesmo dia da entrada de Jesus, houve uma grande procissão entrando em Jerusalém. Do oeste veio Pôncio Pilatos, o governador romano, montado em um cavalo de guerra e ladeado por soldados armados vestidos com todo o esplendor próprio da imponência de um imperador romano. Todos os anos, durante a Páscoa (Êxodo 12, 43-51), um fe...