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Mostrando postagens com o rótulo Inteligência Artificial

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM TEMPOS DE DESAFETOS E DESUMANIDADES

  Foto: Pixabay/ CreativeCommons Quais são os riscos que a inteligência artificial representa? “O celular estraga as crianças”; “as novas tecnologias fizeram a juventude se perder”. São frases tolas ditas na superficialidade do momento. É evidente que devemos nos preocupar com o uso de tecnologias, mas desacreditá-las é problemático. Este ano, Papa Leão XIV trouxe uma reflexão pertinente sobre a inteligência artificial que vai além da preocupação rasteira. " É oportuno partir de duas considerações: a primeira é que qualquer afirmação sobre a IA corre o risco de se tornar obsoleta em pouco tempo, dada a impressionante velocidade de desenvolvimento destes sistemas. A segunda é que todos nós, incluindo quem os projeta, sabemos muito pouco sobre o seu funcionamento efetivo. Na verdade, as inteligências artificiais modernas são mais “cultivadas” do que “construídas”: os programadores não projetam diretamente todos os detalhes, mas criam uma arquitetura sobre a qual a IA “cresce” (Leão...

A AUTORIA NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: UMA REFLEXÃO A PARTIR DE ROLAND BARTHES

       O advento das Inteligências Artificiais Generativas impõe um desafio imediato à a compreensão tradicional de narrativa e criação. Embora já tenha escrito sobre o tema, a reflexão não está finalizada. Para analisar esse fenômeno, recorre agora à tese de Roland Barthes (2004) no texto A Morte do Autor . Ao aplicar lógica de Barthes aos textos produzidos por algoritmos, observa-se um deslocamento radical que é a figura do autor-indivíduo é substituída por uma máquina que processa e replica padrões de aprendizado. Para o pensador francês a autoria, como conceito fundamentado na subjetividade, surge na modernidade e parece encontrar seu esgotamento na pós-modernidade. Nesse cenário, a linguagem torna-se, muitas vezes, "pasteurizada", perdendo o rastro da individualidade em favor de estruturas predefinidas. A IA Gen acentua esse processo ao operar não por autonomia criativa, mas por uma lógica técnica que permanece desconhecida ou mal compreendida pelo grande púb...

UMA IMAGEM CRIADA POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PODE SE TORNAR UMA OBRA DE ARTE?

  Em outubro de 2018, o mercado de arte tradicional experimentou um tremor ontológico. Na Christie’s, o coletivo parisiense Obvious leiloou a obra "Edmond de Belamy", pertencente à série "La Famille de Belamy". O martelo bateu em impressionantes 432 mil dólares, mas o verdadeiro assombro não residia na cifra, e sim na autoria. A imagem foi gerada por um algoritmo de Inteligência Artificial (IA). A venda provocou debates pelo mundo inteiro. Estaríamos diante de um novo artista ou apenas de uma ferramenta sofisticada? O debate, que ocupou do The Guardian ao portal Tilt, questiona se um código treinado pode ser elevado ao status de criador. O jornal inglês The Guardian questinou-se , o evento não foi apenas um marco comercial, mas o sintoma de uma transição profunda no conceito de autoria e criatividade. É um equívoco considerar a tecnologia uma intrusa recente no ateliê. A arte visual sempre foi indissociável da t é chne, a habilidade técnica que transforma a matér...

A ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO DIGITAL

  Longe de ser uma mera habilidade técnica de decodificar letras, o letramento, na visão seminal da linguista Angela Kleiman (Santiago, 1945), é uma prática social profundamente enraizada no contexto. Conforme a autora, trata-se das “ práticas sociais de leitura e escrita ” que os indivíduos desenvolvem ao se engajarem em atividades reais dentro de suas comunidades. Para Kleiman, não basta saber ler e escrever (a alfabetização); é preciso usar a língua escrita para interagir, resolver problemas, questionar, posicionar-se e exercer a cidadania. Seu trabalho desloca o foco do indivíduo isolado para as interações sociais onde o texto circula, destacando que os usos e significados da escrita variam em cada esfera, do bilhete na geladeira à petição online, do laudo médico ao post em rede social. Portanto, ser letrado implica participar criticamente de um mundo grafocêntrico, onde a escrita é uma ferramenta de poder, inclusão ou exclusão. Essa abordagem foi revolucionária ao demonstrar q...

A COMUNIDADE FORMATIVA E O USO DA IA GENERATIVA

 A Inteligência Artificial Generativa não é somente uma ferramenta tecnológica, mas um fenômeno cultural que redefine como pensamos o dia a dia diante do contexto de transformação. Percebo que os professores oscilam entre a adaptação e a resistência, mas não podem ignorar sua presença. Reconheço que a IA oferece agilidade e acesso rápido à informação, algo que antes dependia de longas consultas a inúmeras páginas na rede. Noto que essa “nova velocidade de conexão” não elimina a necessidade de uma reflexão crítica, mas exige que ela seja mais urgente. Com este contexto, seria oportuno que a filosofia da educação se reposicione, afinal, com a IA Gen, há a formação de novos paradigmas epistemológicos no que tange à massa de novos usuários.  É notável que a IA Gen amplia a criatividade docente, permitindo que ideias se transformem em práticas pedagógicas com maior fluidez a depender do prompt. Vejo que os professores solicitam sugestões de atividades, materiais visuais e até estra...