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ANUNCIAR E TESTEMUNHAR JESUS CRISTO


 A vida da Igreja só pode ser compreendida à luz do próprio Jesus Cristo. Ele é o fundamento da fé e o sentido de toda a atividade pastoral. Quando alguém se depara com as exigências da evangelização, o coração se inquieta na busca dos melhores caminhos de seguimento amado e assumindo-o como Senhor da vida do povo. Um conhecimento insuficiente do Filho de Deus gera, inevitavelmente, uma compreensão limitada de sua missão salvífica e da própria razão da existência humana. Não existe meia missão. 

A Bula Pontifícia de São João Paulo II, Mistério da Encarnação, 1988, enfatiza: “Jesus é verdadeiramente a realidade nova que supera tudo quanto a humanidade pudesse esperar, e que permanecerá para sempre ao longo das épocas sucessivas da história. Deste modo, a encarnação do Filho de Deus e a salvação que realizou com sua morte e ressurreição são o verdadeiro critério para avaliar a realidade temporal e qualquer projeto que procure tornar a vida do homem cada vez mais humana” (João Paulo II, n. 1). Jesus revela o rosto de Deus Pai, “rico em misericórdia e compassivo” (Tg 5,11), e, ao enviar o Espírito Santo, manifesta com clareza o mistério do amor da Trindade.

Na atualidade, observa-se com facilidade uma religiosidade superficial, frequentemente moldada por interesses individuais em relação à pessoa de Jesus Cristo. Neste caso, qual o lugar da comunidade? Algumas pessoas seguem suas palavras apenas naquilo que lhes convém. Essa visão parcial de Cristo — o maior personagem e centro da história humana — não possui força suficiente para transformar verdadeiramente a vida. A situação se agrava diante de leituras mal-intencionadas, sem rigor teológico, sensacionalistas e enganosas a respeito do Mestre e Senhor.

Ao mencionar Cristo integral, surge a pergunta: o que essa expressão significa? O cristão não pode selecionar apenas os valores evangélicos que lhe sejam interessantes, cômodos ou pouco exigentes. Compreender Cristo em sua plenitude exige ir além da contemplação de sua personalidade carinhosa e oblativa; implica encontrá-lo e segui-lo também nos momentos difíceis e até incompreensíveis. Basta recordar o episódio em que muitos discípulos o abandonaram por considerarem sua mensagem dura e impossível de ser vivida (cf. Jo 6,66).

O cristão é corresponsável pela Igreja, sua comunidade. No Concílio Vaticano II, a Igreja adquiriu uma consciência mais clara de seu mistério e de sua missão apostólica, confiada pelo próprio Senhor (Gaudium et Spes, n. 40). A comunidade cristã reconhece-se como fermento e alma da sociedade humana, chamada a ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus. Nesse espírito, cada fiel é convidado a dedicar seus esforços e o melhor de seu tempo à preparação e execução da ação evangelizadora.

Para corresponder eficazmente a esse compromisso, a comunidade eclesial deve permanecer unida e crescer na vida de comunhão. Esse processo fortalece cada cristão na missão de levar ao mundo a luz verdadeira: Jesus Cristo.


Referências

PAPA JOÃO PAULO II. “Incarnationis mysterium” (João Paulo II: 29.11.1998). In: VERITATIS SPLENDOR. 8 jul. 2012. Disponível em: https://www.veritatis.com.br/incarnationis-mysterium-joao-paulo-ii-29-11-1998/. Acesso em: 17 fev. 2026.

PAPA PAULO IV. Constituição Pastoral Gaudium et spes: sobre a igreja no mundo actual. Vaticano, 1965. Disponível em: https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html. Acesso em: 17 fev. 2026. 


Texto escrito em 13 de julho de 2018 e revisitado em 17 de fevereiro de 2026.


Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau e ao Colégio Alpha. Editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts). 

https://orcid.org/0000-0001-8631-5270


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