Pular para o conteúdo principal

UMA CATEQUESE PARA VIVER A MISSÃO

Ação do catequista é por natureza uma ação missionária (DC, 2020). Essa atividade integra a missão da Igreja, visto que não constitui um ato isolado, mas sim uma ação comunitária que, diante dos desafios do tempo presente, exige novo vigor. A experiência missionária amplia horizontes e convoca a um recomeço a partir de Cristo. Neste processo algumas características são fundamentais: o caminho exige amadurecimento constante e linguagem de testemunho; a fraternidade torna-se critério de autenticidade; a solidariedade assume papel estruturante. Diante disso a ação do catequista missionário passa a ser urgência e identidade. “O estado permanente de missão implica grande disponibilidade em repensar muitas estruturas pastorais, tendo como princípios  constitutivos a espiritualidade de comunhão e a audácia (disponibilidade) missionária” (CELAM, 2008, p. 11).

O catequista deixa de atuar como um “professor” de sala para viver em estado permanente de missão, o que por sinal, exige revisão profunda das estruturas. A espiritualidade de comunhão torna-se princípio orientador. A audácia missionária pede disponibilidade real para que se produza um verdadeiro encontro com Cristo, e este, por sua vez, nasce da Palavra vivida. Os desencontros surgem do distanciamento da Sagrada Escritura. Portanto, o método da leitura orante educa o coração e traz Cristo para o centro da ação missionária. A proclamação de Cristo morto e ressuscitado sustenta o anúncio, pois “não sou eu, mas é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2, 20).

Neste contexto a ação missionária do catequista é uma ação vivenciada no território que ele está inserido. Na territorialidade se manifesta a liturgia que fortalece a identidade comunitária da Igreja. O catequista é missionário na própria realidade de sua vivência. O mandato missionário é vivido num processo de iniciação cristã que conduz à vida comunitária madura. A comunidade torna-se espaço de pertença e anúncio constante do Cristo. Não se é catequista para aquele que está distante, mas o é para o irmão mais próximo, “aprofundando a missão comunitária” (CELAM, 2008, p. 17).

A evangelização depende do protagonismo dos leigos. Para isso a formação precisa ser missionária, superando as estruturas fundamentalistas que focam apenas na doutrinação, uma verdadeira experiência que leva ao encontro com Cristo é social, sentido o cheiro das ovelhas, como nos ensinou o Papa Francisco. Ademais, a citação de Gálatas lembra, é o Espírito impulsiona a ação evangelizadora e não a ação humana. Para viver esta experiência é fundamental uma pedagogia do encontro que orienta processos, e todo encontro é uma construção de afetos para uma motivação de conversão. Chegar-se-á quando houver uma verdadeira conversão pastoral (CNBB, 2014). A missão exige dois movimentos de conversão, uma pessoal e a partir dela, a conversão pastoral.

Estamos dispostos a abandonar estruturas estéreis para assumir uma missão verdadeiramente transformadora?

LITERATURA DE APOIO

CELAM, Conselho Episcopal Latino-Americano. A Missão continental: para uma igreja missionária. Brasília: Edições CNBB, 2008.

CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Comunidade de comunidades: uma nova paróquia. A conversão pastoral da paróquia. Documentos da CNBB, n. 100. Brasília: Edições da CNBB, 2014.

DC, Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Diretório para a Catequese. Brasília: Edições CNBB, 2020. (Documentos da Igreja, no 61).

SOBRE O AUTOR

Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts) e escreve no Substack sobre o futebol catarinense ( https://albiofabianmelchioretto.substack.com/).

MyOrcId: https://orcid.org/0000-0001-8631-5270

Declaro que utilizei ferramentas de Inteligência Artificial generativa exclusivamente para apoio na revisão textual e organização da escrita deste documento. Todo o conteúdo analítico é de minha autoria e responsabilidade. Para tal foi utilizado o Gemini com GEM personalizado para correção e revisão de textos.






Comentários