Versão 1 Na história, em diferentes níveis, sempre se aprendeu primeiro a falar e depois a escrever. O falar nasce de uma certa espontaneidade. A criança, sem muita vergonha ou neurose, inventa palavras, cria contextos e, com a imaginação, amplia o mundo. “Eu consigo passar num segundo, giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo”, já nos ensinou Toquinho (1983). As primeiras palavras de uma criança são festejadas e sua imaginação não se importa com os limites impostos. Ela fala, fala e fala... as regras do falar da criança são construídas e reconstruídas em cada frase. Não há uma má-gramática do falar, apenas a vontade. E quando a criança chega à escola, da fala surge a escrita. Há um corte. A escrita, por sua vez, assume outra característica, diante das regras e das gramáticas, transforma-se em algo talvez menos divertido que o falar. Para pensar essa relação com a escrita, recorro a Gilles Deleuze (1997). Para o pensador francês, “escrever é um caso de devir, ...