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Mostrando postagens de abril, 2026

A AUTORIA NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: UMA REFLEXÃO A PARTIR DE ROLAND BARTHES

       O advento das Inteligências Artificiais Generativas impõe um desafio imediato à a compreensão tradicional de narrativa e criação. Embora já tenha escrito sobre o tema, a reflexão não está finalizada. Para analisar esse fenômeno, recorre agora à tese de Roland Barthes (2004) no texto A Morte do Autor . Ao aplicar lógica de Barthes aos textos produzidos por algoritmos, observa-se um deslocamento radical que é a figura do autor-indivíduo é substituída por uma máquina que processa e replica padrões de aprendizado. Para o pensador francês a autoria, como conceito fundamentado na subjetividade, surge na modernidade e parece encontrar seu esgotamento na pós-modernidade. Nesse cenário, a linguagem torna-se, muitas vezes, "pasteurizada", perdendo o rastro da individualidade em favor de estruturas predefinidas. A IA Gen acentua esse processo ao operar não por autonomia criativa, mas por uma lógica técnica que permanece desconhecida ou mal compreendida pelo grande púb...

UMA IMAGEM CRIADA POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PODE SE TORNAR UMA OBRA DE ARTE?

  Em outubro de 2018, o mercado de arte tradicional experimentou um tremor ontológico. Na Christie’s, o coletivo parisiense Obvious leiloou a obra "Edmond de Belamy", pertencente à série "La Famille de Belamy". O martelo bateu em impressionantes 432 mil dólares, mas o verdadeiro assombro não residia na cifra, e sim na autoria. A imagem foi gerada por um algoritmo de Inteligência Artificial (IA). A venda provocou debates pelo mundo inteiro. Estaríamos diante de um novo artista ou apenas de uma ferramenta sofisticada? O debate, que ocupou do The Guardian ao portal Tilt, questiona se um código treinado pode ser elevado ao status de criador. O jornal inglês The Guardian questinou-se , o evento não foi apenas um marco comercial, mas o sintoma de uma transição profunda no conceito de autoria e criatividade. É um equívoco considerar a tecnologia uma intrusa recente no ateliê. A arte visual sempre foi indissociável da t é chne, a habilidade técnica que transforma a matér...

A VERDADE EM SANGUE: O QUE APRENDI COM BARTOLOMEU DE LAS CASAS

  Mataram uns 12 milhões de indígenas, contabiliza Las Casas - RED A “ e ra dos d escobrimentos”, no período da América Colonial, foi muitas vezes envolta por narrativas românticas sobra a exploração da América. O frei dominicano Bartolomé de Las Casas, ou Bartolomeu, na obra O paraíso destruído (2001) revel ou uma tapeçaria de sangue. Ele documenta um “ p araíso t errestre” transformado em “ a bismo” de “ o pressão a bominável”, praticado pelo europeu que chegou com sede insaciável de ouro . A revelação mais perturbadora não é apenas a escala da carnificina, mas a identidade da própria testemunha. Antes de sua conversão, por volta do ano d e 1502 Las Casas participou da mesma “história sangrenta” que mais tarde condenaria. A ntes de tornar-se religioso ele chegou a s Ilha s de Cuba e Hispaniola, como conquistador. Próximo a vila de Caonao ordenou a decapitação de sete mil índios. Sua transformação de perpetrador de massacres em “ p rotetor dos í ndios” começou com u...