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Mostrando postagens de janeiro, 2026

EVANGELIZAR A PARTIR DA REALIDADE: UM OLHAR INTRODUTÓRIO PARA MASSARANDUBA E A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026

  A Campanha da Fraternidade é uma ação da Igreja Católica que, a partir da Quaresma mobiliza uma reflexão social à luz da Palavra. Todo ano é escolhido um tema com foco no social. No ano de 2026 o tema é “Fraternidade e Moradia”, o lema, é “Ele veio morar entre nós” (João 1,14).  A Campanha da Fraternidade (CF) ajuda a pensar uma realidade territorial. No caso deste texto, a realidade pensada é a paróquia situada em Massaranduba, um pequeno município do Vale do Itapocu, região Norte de Santa Catarina. Pensar a evangelização à luz da CF significa, antes de tudo, olhar com seriedade e compaixão para a realidade concreta em que vivem as famílias. Este olhar independe da vivência religiosa de cada pessoa. Aqui se pensa a Casa Comum, como nos ensinou Papa Francisco (2015) . A CF propõe refletir sobre fraternidade e moradia, lembrando que a casa não é apenas um teto, mas um espaço de dignidade, saúde, convivência e esperança. Quando a moradia é frágil, a vida também se fragiliza....

O ORKUT É REALMENTE NECESSÁRIO?

  PRÉ-TEXTO  O leitor mais novo desconhece o Orkut. Mas ele está acostumado com outro fenômeno, a exposição nas mídias sociais. Pensando neste contexto, recupero um texto que já completou vinte anos para repensar algumas práticas incorporadas no cotidiano. Nem sempre elas podem ser normatizadas e naturalizadas. Em tempos em que a escola insiste em debater Pensamento Computacional, é importante pensar em comportamentos e exposições computacionais (sic!). --------------------------------------------------------- Orkut - é realmente necessário? Foi montado voluntariamente por cidadãos de bem, deslumbrados com a tecnologia, querendo participar sua rotina, sua existência sem novidades, seus gostos, seus filhos, seus pais, a todo o mundo. Todo o mundo mesmo. O ORKUT apareceu como uma forma de reaver amigos, saber notícias de quem estava distante e mandar recados, e hoje está sendo utilizado com o propósito para que, creio, é o seu maior trunfo, obtenção de informações sobre uma cla...

QUAL O LUGAR DA ESCOLA NO MUNDO DIGITAL?

  Você se lembra do momento em que teve a evidência clara de que conseguia ler? Eu me lembro: tinha sete anos, estava em frente à escola, olhei para a fachada de um prédio antigo e lá estava escrito: far-má-cia. Gritei! “Eu li! Eu sei ler!”   A escritora Ângela Kleima (2005) escreve sobre letramento, um nome oportuno para tecer ideias sobre esse tema. Ela nos faz pensar que o letramento não se restringe ao ambiente escolar. É sempre importante lembrar que a educação não se limita ao espaço da escola; portanto, outras práticas também não podem ser exclusivas dela. Isso nos leva a reconhecer que a escola possui muitas atribuições, mas funciona como parte de um sistema mais amplo. Para Kleima, o letramento faz parte do cotidiano e, enquanto processo, possui múltiplos sentidos. Um dos aspectos destacados pela pesquisadora é a condição social na qual esse processo está inserido. “Paulo Freire utilizou o termo alfabetização como um sentido próximo ao que hoje tem o termo letra...

A ESCOLA COMO TERRITÓRIO DO DIGITAL

  Longe de ser uma mera habilidade técnica de decodificar letras, o letramento, na visão seminal da linguista Angela Kleiman (Santiago, 1945), é uma prática social profundamente enraizada no contexto. Conforme a autora, trata-se das “ práticas sociais de leitura e escrita ” que os indivíduos desenvolvem ao se engajarem em atividades reais dentro de suas comunidades. Para Kleiman, não basta saber ler e escrever (a alfabetização); é preciso usar a língua escrita para interagir, resolver problemas, questionar, posicionar-se e exercer a cidadania. Seu trabalho desloca o foco do indivíduo isolado para as interações sociais onde o texto circula, destacando que os usos e significados da escrita variam em cada esfera, do bilhete na geladeira à petição online, do laudo médico ao post em rede social. Portanto, ser letrado implica participar criticamente de um mundo grafocêntrico, onde a escrita é uma ferramenta de poder, inclusão ou exclusão. Essa abordagem foi revolucionária ao demonstrar q...