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COMO USAR MEU PODER DE ESCOLHAS?

Fazem pelo menos quatro anos que vivenciamos com ferramentas de “inteligência artificial” (IA). Diversos pesquisadores se ocuparam em debater a ação e suas consequências. Alguns como Miguel Nicollelis tem alertado da transformação cognitiva que ela tem provocado. Educadores vivem entre o uso e a condenação. Neste período produz alguns textos refletindo ganhos e problemas. Nestas linhas quero expor algumas preocupações.

Quero chamar o que popularmente se entende de IA, de chatbox, já que a ferramenta é outra coisa e nós, meros usuários, nos limitamos a “conversar” com a máquina por meio de chats. A ascensão dos chatboxs redefiniu as dinâmicas contemporâneas de acesso ao conhecimento. No entanto, é fundamental superar a visão reducionista do fácil e do rápido que cerca essa tecnologia. A busca por respostas imediatas compromete a profundidade do aprendizado e a retenção de dados. O imediatismo algorítmico gera uma falsa sensação de eficiência intelectual. Torna-se imperativo questionar a conveniência da automação no desenvolvimento do pensamento crítico. O uso consciente dessas ferramentas exige rigor metodológico e postura reflexiva contínua. Não dá para usar um prompt: escreva um artigo científica sobre pássaros! Comandos equivocados geram respostas equivocadas.

A interação constante com sistemas generativos frequentemente produz uma perigosa ilusão de competência. O usuário confunde a fluidez da resposta gerada com o seu próprio domínio conceitual. Essa assimilação passiva mascara lacunas cognitivas profundas e prejudica a autonomia do conhecimento. A facilidade na entrega de sínteses prontas fragiliza a capacidade analítica individual. Qual a intencionalidade que acontece neste cenário? Sem o devido escrutínio técnico, o saber superficial substitui a verdadeira maestria intelectual. O verdadeiro aprendizado exige o esforço ativo do processamento da informação. O contrário, Steven D. Shaw (Chavarría, 2026) tem chamado de rendição cognitiva.

Para evitar a rendição cognitiva, é indispensável preservar a centralidade do pensamento humano. O ato de terceirizar o raciocínio lógico compromete a estruturação de hipóteses originais. A dependência excessiva de algoritmos atrofia a capacidade de resolução de problemas complexos e direciona a possibilidade de escolhas. É necessário manter uma postura analítica e questionadora diante de qualquer dado sintetizado. A mente humana precisa atuar como filtro rigoroso e não como mero receptáculo. A preservação da autonomia intelectual garante o desenvolvimento epistemológico sustentável e confere a espécie humana a capacidade racional de escolha.

A integração da tecnologia no ecossistema educacional exige uma revisão crítica de seus métodos. A automação não deve anular o rigor analítico, mas servir como alavanca estratégica de reflexão. A valorização do processo de construção do conhecimento supera a busca pelo resultado imediato. O verdadeiro progresso intelectual reside na capacidade de formular perguntas complexas e originais. Cabe à sociedade direcionar o uso dessas ferramentas digitais para o fortalecimento da autonomia. Diante dessa transformação, até que ponto a busca pela eficiência algorítmica está anestesiando nossa capacidade de pensar de forma independente?

Literatura de apoio

CHAVARRÍA, Paula Escobar. Steven D. Shaw, experto en IA: “La rendición cognitiva por la inteligencia artificial está ocurriendo”. Las Condes, Región Metropolitana, Chile, 2026. Disponível em: https://www.latercera.com/tendencias/noticia/steven-d-shaw-experto-en-ia-la-rendicion-cognitiva-por-la-inteligencia-artificial-esta-ocurriendo/. Acesso em: 25 jul. 2026.

SILVA, Roni França; PANIAGO, Rosenilde. A inteligência artificial não é inteligente nem artificial: a crítica de Nicolelis e a alfabetização científica e tecnológica para desvelar a natureza dessa tecnologia. Revista Interinstitucional Artes de Educar, Rio de Janeiro, UERJ, v. 11, n. 1, p. 411–425, 2025.


Sobre o autor

Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Filósofo. Doutor em Desenvolvimento Regional. Editor do podcast, Tecendo Ideias.
https://orcid.org/0000-0001-8631-5270


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